Em Outubro a Hitwise publicou um relatório que estima que as pesquisas relacionadas com música representem cerca de 6% de todas as pesquisas do Google.

6% de todas as pesquisas do Google! É imenso!

A integração nos resultados destas pesquisas de conteúdo áudio que pode ser comprado online, representam um potencial de vendas gigantesco e tornam o Google num dos principais “players” do novo mercado da música.

Dito e feito. Apesar de já permitir pesquisas contextualizadas por música há muito tempo (bastava adicionar numa pesquisa o termo “music:”), a partir de agora o Google Music Search integra nos resultados de pesquisas (nos EUA - ver nota final) por artista, album ou música, a possibilidade de ouvir excertos, letras, ver videoclips, obter bibliografias de bandas, comprar online música ou bilhetes para concertos.

Como quase todos os lançamentos recentes do Google (ex.: Google Books, Google Voice, Google Social Search, etc.), as implicações para este mercado são imensas. Ao permitir que as compras online sejam feitas no iLike (comprado recentemente pelo MySpace ) ou Lala, o Google torna-se numa gigantesca força de vendas para estes dois player. Implicações?

  • Ameaça à liderança do iTunes

google_music Com a ajuda do iPod e iPhone, o iTunes da Apple tornou-se não só no principal destino para compra de música online mas também no barómetro do sucesso de músicas, artistas e albuns.

O iTunes representa cerca de 25% de todas as vendas de música no mercado Americano (online e offline). De acordo com a CNET, nas vendas online o iTunes lidera com 69%, seguido pela Amazon com 8%.

Mas o mercado da música está longe de ser estático e o iTunes está longe de ter uma quota de mercado segura. Para além da ameaça do “streaming” de novos players (como o Pandora, Last.fm e o recente e brilhante Spotify), a entrada do Google neste mercado não representa um produto novo nem mais um passo a dar para quem quer encontrar música. Pelo contrário, oferece a descoberta imediata de música de forma natural, sem pensar. A descoberta da música passa a estar naturalmente integrada na experiência de pesquisa, com os resultados principais a aparecerem no topo da página.

Ao permitir que as compras online sejam feitas no iLike e Lala, o Google acaba por ser responsável pela entrada destes players no impenetrável mercado do iTunes. Por sua vez, o iTunes não tem como contra-atacar, uma vez que não pode competir com o Google nas pesquisas.

  • Google Music Trends (Top Google?)

music-trends Os Tops sempre foram importantes para o mercado da música. Se anteriormente era o Billboard top 100, hoje são (também) os Tops do iTunes.

O Google sempre mediu tendências (ver Google Trends ). Se combinarmos os dados das 6% de pesquisas que o Google já tinha sobre música com o que os utilizadores “ouvem”, e o “que” e “quando” compram, temos dados que dão informação precisa sobre a indústria da música.

Facilmente podemos imaginar um extensão ao Google Trends que redefina o conceito de Top 100.

  • MySpace: It’s alive!
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Depois de ter sido o principal concorrente do Facebook, o MySpace começava a ser comparado com uma espécie de Titanic do mundo online.

Apesar de se ter reposicionado como rede social centrada no universo da música, de ser o ponto de paragem de inúmeras bandas, de ter hoje um serviço de vídeo excelente e de ter um novo CEO, o tráfego do MySpace tem vindo a cair brutalmente (enquanto o Facebook cresce de dia para dia).

Depois de ter comprado o iLike para passar a ter a sua loja de música, o MySpace tem agora o Google como força de vendas e renasce como site de paragem para audiências relacionadas com a música. É caso para se dizer “Com a benção do Google!”  ou um “In Google we trust!”.

  • Ainda mais receitas

google1 O acordo feito com o iLike e Lala, é mais do que um acordo de “bons rapazes”. Claro que o Google tem como alvo a abater o Facebook (já o começou a fazer devagarinho com a sua estratégia subtil mas tentacular de redes sociais e agora favorece o antigo concorrente) e o iTunes tem uma dimensão… desconfortável.

Mas a verdade é que o Google ganha com cada venda efectuada e foi mais fácil negociar margens com o iLike e Lala do que seria com o iTunes. E quem compra uma música depois de uma pesquisa no Google, não quer saber a quem compra.

E o Google ainda reforça as receitas de publicidade num sector que ainda está habituado aos meios offline.

Dentro de dois a três anos, vai ser curioso olhar para as receitas geradas pelo Google no universo da música!

  • Google Vídeo 2.0

google_video1 Pensem na satisfação de querer ouvir uma música de que nos lembramos parcialmente e de a encontrar em segundos. É o tipo de experiência que não pode ser intelectualizada. Trata-se de uma experiência emocional.

Agora imaginem a satisfação de qualquer consumidor quando o conteúdo de vídeo estiver disponível desta forma. Não é o YouTube. Não é o Hulu. É todo e qualquer vídeo, filme, videoclip, telejornal, entrevista, disponível à distância de uma pesquisa.

Pesquisar no Google é hoje parte do ecosistema da Internet. Se imaginarmos o que vai acontecer quando milhões de pessoas aprenderem a pesquisar música, o vídeo será uma extensão natural.

Uma extensão que o Google persegue há bastante tempo. Começou com o Google Vídeo, com acordos falhados com canais de televisão, com a compra do YouTube. E como o Google tem dimensão e cash-flow suficiente para ter paciência e esperar… é uma questão de tempo!

Nota: o resultados das pesquisas de música só apresentam a possibilidade de ouvir a música (e comprar) nos EUA. Para poderem “ver” os resultados completos de uma pesquisa, têm que usar um proxy American o.

Nota 2: Há cerca de uma semana comentei no Twitter o Google Music Search. Não o fiz logo no Blog porque ultimamente parece que o Google é tema único. Ou ando demasiado atento ao Google ou o Google anda excessivamente activo (sinceramente, não acho que o Google ande activo mas sim…  hiperactivo!)… até quando o estado de graça? Onde andam os senhores do anti-trust? Algo me diz que vai ser este o maior desafio do Google a curto prazo.