social-networking-8-300x220.jpg A forma como os adolescentes de hoje utiliza a Internet está a transformar os processos de aprendizagem de um modo que a maior parte dos adultos, muitos ligados ao ensino e ao sistema educativo, não percebem.

A utilização dos media digitais e o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e sociais representam, como em todas as transformações e revoluções, uma enorme oportunidade que deve ser aproveitada pelo sistema educativo.         

          

É esta a conclusão a que chegaram 28 investigadores da Universidade da Califórnia, Berkeley e a Fundação MacArthur, ao longo de 3 anos, depois de terem entrevistado mais de 800 adolescentes e respectivos pais, um-a-um e em focus groups, e depois de terem observado mais de 5000 horas destes adolescentes em sites como MySpace, Facebook, YouTube, e outras comunidades online, documentando “como” e “com” que objectivo é que estes usam media digital.

Entitulado “ Living and Learning With New Media “, o estudo articula o valor do Social Networking, mensagens de texto e outras formas de “new media”, melhor do que qualquer outro relatório que tenha visto com este objectivo. 

O relatório tem um  sumário de duas páginas, um  paper de 30 páginas   e um  livro online com 12 capítulos   intitulado “ Hanging Out, Messing Around, Geeking Out: Living and Learning with New Media” ( MIT Press will be offering a print version of the book soon).

“Pode ser uma surpresa para os pais saberem que o tempo que os filhos passam online não é tempo perdido,” diz Mizuko Ito da Universidade da California, investigador e um dos responsáveis pelo relatório. “Há mitos sobre o tempo que os adolescentes passam online - que é perigoso ou que os torna perigosos. Mas nós descobrimos que o tempo que passam online é essencial para que desenvolvam os conhecimentos técnicos e sociais que necessitam para se tornarem cidadãos competentes na era digital.”

O relatório mostra que:

  • Há um novo e significativo “generation gap” no modo como adolescentes e adultos percepcionam a importância da actividade online: os adultos têm habitualmente uma visão negra sobre o que os adolescentes fazem (não foi sempre assim?) no online, e vêem muitas vezes a actividade online como perigosa e como uma distracção nada produtiva. Em contraste, os adolescentes percebem o valor social da actividade online e sentem-se altamente motivados para participarem;                  

  • Ao participarem no online, os adolescentes navegam em mundos complexos, técnica e socialmente, onde desenvolvem os conhecimentos técnicos e sociais que necessitam para um participação plena na sociedade contemporânea; 

  • Os mundos sociais onde os adolescentes participam têm novos tipos de dinâmicas: o socializar online é permanente, público, envolve a gestão de redes elaboradas de amigos e conhecidos e está sempre “on”;

  • Os adolescentes, mais do que os adultos, são altamente motivados pela aprendizagem com os membros das suas redes: a Internet fornece novos tipos de espaços públicos para os adolescentes interagirem e receberem  feedback  entre si, partilhando conhecimento e experiências;  

  • Por outro lado, a maior parte dos adolescentes não tira partido de todas as oportunidades de aprendizagem da Internet pois apenas exploram aspectos sociais e negligenciam  outras oportunidades de aprendizagem, normalmente as menos populares no seu círculo de amigos e conhecidos online.

 

Nota pessoal (como todo o Blog, ok!:)):

O Social Networking e Digital Media trazem funcionalidades e novos ritmos mas, como quase tudo que é supostamente novo ou novidade, algum afastamento e senso comum faz-nos ver e perceber que mudam as perspectivas mas na essência, a forma como socializamos e aprendemos é uma característica humana e não tecnológica.

Se olharmos para trás, o “generation gap” tem estado sempre sempre presente. Seja com movimentos e momentos como o existencialismo Camusiano (Camus marcou-me mais do que Sartre),  Verão de 68, “flower power”, Punk, Gótico, cinema, tecnologia, o principal desafio acaba por estar no factor “tempo” e “amplificação”. Hoje, criam-se “generation gaps” diferentes dentro da mesma geração e dado o excesso de informação, enquanto pais e educadores, temos um desafio maior que no passado: não nos deixarmos ultrapassar pelos vários “gaps”.

A grande parte das ferramentas sociais disponíveis no mundo online “amplificam” ou “aceleram” características de qualquer ferramenta social, nomeadamente o foco no que é “mais popular” no nosso círculo social.

Enquanto pais e educadores continuamos a ter os mesmos desafios de sempre: ajudar a encontrar os melhores espaços para o desenvolvimento de competências específicas, onde possam alargar as suas redes de conhecimento(s) com interesses comuns. 

Ou seja: o nosso papel de sempre enquanto pais!